Fev 17 2009
ACORDO ORTOGRÁFICO À PORTUGUESA
Estou a escrever este post de acordo com o novo acordo ortográfico, recorrendo ao conversor que uma empresa, tanto quanto sei a única que temos nesta área, disponibiliza.
Hoje o ministro da Cultura patrocinou com a sua presença e encómios o lançamento de um produto desta empresa - o Flip, tendo sido lançada a versão 7. Sou contra o Acordo Ortográfico mas ainda mais quando é cada vez mais visível que ainda neste mesmo semestre vamos ter de recorrer ao flip 7 para escrevermos de forma “oficial”. Este software não é barato, muito pelo contrário. Há muito anos que o compro e estou satisfeita com este produto. Mas uma coisa é eu optar por determinado software, outra os portugueses serem obrigados a fazê-lo. Depois do chip nos carros, só faltava mesmo mais esta despesa…
Os preços recomendados são os seguintes:
Licenças Normal Actualização Normal Actualização Licença Unitária2 58,30 € 40,81 € 69,96 € 48,97 € 5 computadores 233,00 € 163,00 € 279,60 € 195,60 € 10 computadores 453,00 € 317,00 € 543,60 € 380,40 € 20 computadores 878,00 € 615,00 € 1.053,60 € 738,00 € 50 computadores 2.031,00 € 1.422,00 € 2.437,20 € 1.706,40 € 100 computadores 3.514,00 € 2.460,00 € 4.216,80 € 2.952,00 €
Espero que me desculpem, mas não consigo estabilizar a formatação original. Se quiserem ver como deve ser, vão, s.f.f., ao site da empresa referida.
Gostaria, aliás, de saber se estão previstas verbas para os ministérios e outros orgãos de soberania proporcionarem aos milhares de funcionários uma licença para o usar nas suas tarefas rotineiras. E as empresas, como deverão proceder?
No site da Priberam pode ler-se que o FLiP On-line (www.flip.pt/online) “é já há alguns anos utilizado diariamente por milhares de pessoas para verificar textos em português de Portugal e português do Brasil. Só durante o ano passado mais de um milhão de pessoas de 173 países/territórios recorreram a este serviço. A partir de agora, além de selecionarem o português de Portugal ou o português do Brasil, os utilizadores podem ainda especificar se querem utilizar a grafia pré ou pós-Acordo. Na prática é como se estivessem disponíveis 4 corretores diferentes. Em simultâneo a Priberam disponibilizou ainda um conversor para o Acordo Ortográfico quer para o português de Portugal quer para o português do Brasil (www.flip.pt/conversor)”. Vão lá e experimentem, para se irem habituando…
Esta empresa Priberam é uma “empresa especialista na conceção e desenvolvimento de software tendo-se destacado principalmente pelos produtos que comercializa em três áreas: a linguística, as ferramentas de informação jurídica e a saúde. A empresa fornece ainda serviços de consultoria e apoio técnico em regime de outsourcing. A Priberam, fundada em 1989, iniciou a sua atividade na área das bases de dados jurídicas em 1991 e começou a investir no desenvolvimento de recursos e tecnologias linguísticas para o português em 1992. Só mais tarde é que a empresa marcou presença na área da saúde, com o sistema integrado de gestão de clínicas de oftalmologia OptiX. O principal produto da área linguística é o FLiP, um conjunto de ferramentas linguísticas para uma escrita correta da língua portuguesa. O LegiX é uma família de soluções para a pesquisa de legislação, jurisprudência e doutrina. A Priberam foi a primeira empresa em Portugal a ser distinguida como Gold Certified Partner pela Microsoft e é a única que desenvolve software e conteúdos que são incluídos em produtos comercializados por esta multinacional. Em 2007, a Priberam foi uma das empresas selecionadas para integrar a Rede de Pequenas e Médias Empresas Inovadoras COTEC”.
A partir daqui deixo o conversor e volto a escrever como aprendi na escola primária. E já que falo em educação, estão a ver a quantidade de manuais escolares que, em futuro próximo, serão obrigatoriamente adquiridos pelos pais que já mal conseguem pagar os encargos escolares?
É bom existir um software que nos ajude para as mais diversas tarefas quotidianas. Mas excelente é poder usufruir de uma enorme variedade de escolhas.
Para além do windows e do office, que são incontornáveis para quem não quer perder tempo a aprender outros sistemas operativos e aplicações corriqueiras, os entusiastas do Linux, para já não falar dos devotos ao Mac, desenvolvem softwares cada vez mais aliciantes. O software livre e gratuito deveria ser, há muito tempo, uma prioridade governamental num país como o nosso e com o potencial da língua portuguesa.
Mas não. Tudo se encaminha uma vez mais para monopólios, desta vez à escala da lusofonia, o que me entristece. E quem vai oferecer tudo isto aos países pobres dos PALOP?
Os paladinos do software livre em Portugal demonstraram recentemente que são capazes de fazer aquilo que o governo português não conseguiu ou não quis, elaborando um sistema de pesquisa minimamente eficaz, em poucas horas de trabalho, para o portal das aquisições do Estado por ajuste directo.
A pressa com que o acordo ortográfico está a avançar não nos irá lançar uma vez mais num beco sem saída? Os meus amigos linguistas riem-se e dizem tudo isto não passar de uma opção política e nada ter a ver com a língua. Mas já tem menos graça o dinheiro que tudo isto pode custar, não?… Para além da oportunidade perdida em termos de difusão e implantação do português no mundo, real e virtual, onde se jogam milhões de euros. A influência espanhola nos Estados Unidos e em certas antigas colónias portuguesas, a proeminência do Brasil, que agora nos impõe esta solução ortográfica, não deveriam ser analisadas de outra forma e apontadas as prioridades de maneira que se entendesse o que quer e pode Portugal fazer no contexto actual, cada vez mais desnorteado e depauperado?
Tomei a liberdade de criar um autocolante alusivo ao tema. Usem e abusem!