Out 12 2011

Living in UESR

Publicado por Anunes a 9:29 em Artigos Gerais

Segundo a imprensa dos ultimos dias, o Governo recusa-se a considerar a solução proposta pela Banca nacional para a Divida “tóxica” das empresas públicas.
A colocação dessa Divida (ou parte dela) num “bad bank”, como se tem feito pelo mundo inteiro desde 2007, permitiria à Banca nacional recapitalizar-se, como é intenção das autoridades Europeias, e libertar a tão necessária liquidez para acudir às PME’s que vão criando o nosso Produto nacional e os consequentes postos de trabalho.
Em vez disto, o Governo, em linha com a Troika, pretende antes forçar a capitalização dos bancos, mediante o seu recurso à linha de crédito criada para o efeito.
Ora os bancos não podem aceitar isto por duas razões:
Em primeiro lugar não precisam.
De facto, se não considerarmos o inconsequente histerismo capitalizador que grassa na Europa pós Leman Brothers, e assumirmos, como seria correcto, que as EP’s, as Autarquias, as Regiões Autónomas e o Estado, vão todos honrar os seus compromissos nas dividas que contrairam, a Banca de facto não precisa de se capitalizar.
Em segundo lugar, porque o modelo proposto pela Troika, e apoiado pelo Governo, significa sempre uma apropriação, por parte do Estado (e dos seus financiadores externos), da melhor parte da riqueza criada pela banca, em detrimento dos seus verdadeiros e únicos proprietários (i.e. os seus trabalhadores e os seus accionistas). Ou seja, aquilo a que se chama capitalização, constitui na realidade, para a maior parte dos trabalhadores e accionistas do sistema bancario nacional, uma expropriação pura e dura.
Ficamos assim em território algo caricato: A Banca tem problemas por causa do Estado e este ainda quer resolver os problemas que criou apropriando-se indevidamente da riqueza alheia.

Faz todo o sentido. E a receita parece tender a fazer Escola a nível Europeu.
Feudalismo Europeu ou União das Repúblicas Socialistas Euroviéticas?

19 comentários até agora

19 Comentários para “Living in UESR”

  1. Anunesa 12 Out 2011 as 9:39

    PS:
    Não nos esqueçamos que o Governo e a Troika querem capitalizar a Banca para que esta consiga assumir o incumprimento do pagamento das EP’s e os “Hair cuts” das Dividas soberanas nos seus balanços. Ou seja, o Governo só dá com uma mão porque sabe que vai ter de tirar com a outra.
    E, pelo caminho, ganha uns jurositos ou uns dividendos.
    Perfeito.

  2. PMPa 12 Out 2011 as 9:45

    Muito bem Anunes, excelente artigo.

    A histeria capitalizadora anti-capitalista é mais um sintoma do puritanismo de influência germânica/Tea Party que grassa pela U.E.

    É uma fuga para a frente que não leva a lado nenhum, porque o problema é a falta de unificação de pelo menos metade da divida publica da Zona Euro.

    A manutenção de dividas publicas separadas na totalidade vai acabar sempre por resultar na destruição do negócio bancário e se calhar segurador nos paises perifericos.

    Mas como eu disse á algumas semanas os “ricos” vão acabar por revoltar-se e correr com essa gente ignorante e incompetente :

    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=511265

    Cem personalidades europeias, entre as quais o investidor internacional George Soros, apelaram hoje aos governos da Zona Euro para resolverem rapidamente a crise da dívida sob pena de o sistema financeiro global ser destruído.

  3. PAa 12 Out 2011 as 10:10

    Bom artigo.

    Continuamos sem liderança na UE, e a empurrar para a frente os problemas (todas estas indecisões/adiamentos “sugeridos” pela França/Alemanha) com a barriga. Sem visão de futuro para a Europa.

  4. quelhas motaa 12 Out 2011 as 11:00

    De facto, deixei de entender o «capitalismo liberal». Sempre pensei que quando se falha no capitalismo, paga-se o falhanço falindo.
    De facto, parece-me que temos de dar a mão-à palmatória a Marx: o capital quando tem lucros é para ele, quando tem prejuízo este é nacionalizado – ou seja, como são sempre os mesmos a pagar, a injustiça torna-se tão imoral (e aberrante), que o melhor é acabar com os capitalistas.
    O que George Soros propõe é que se tenha esse «bom» capitalismo-com-rede (não liberal): quando há perdas, que venham os cidadãos pagar. Ou seja, quando ele perde milhares de milhões, porque «falhou», essa é a verdade, que venham os cidadãos pagar. Assim, «eu também quero»!
    Anunes
    Não me parece que seja «correcto», enquanto análise daquilo que faz: a dívida aos bancos, misturar accionistas-bancários com trabalhadores – aliás, eles também não se misturam na repartição de lucros, porque raio se devem misturar no prejuízo?
    Foi isso que fundamentou a política do crescimento na «inutilidade social» do País em grande parte do que se fez nos últimos anos, para a qual os Bancos bem contribuíram na perspectiva de lucros «desproporcionados» e «seguríssimos» (seguros pelos Impostos).
    Até acho engraçado recordar que os seus impostos-privilegiados eram justificados pela «modernidade» que tinham atingido («os mais modernos do mundo» – como gostamos) – que, aliás, também nunca entendi porque, pelo mesmíssimo critério, não se estendia algo tão bom a todas as empresa portuguesas.
    Como princípio geral, acho que uma sociedade-capitalista exige que a «falência» seja algo absolutamente aceitável; e, mais ainda, que a falência (como a morte biológica) é condição para que «o novo» surja e também, nesse caso, para que se possa corrijam ERROS. Nisto, estou de acordo com o Tea Party (que afinal foi buscar a denominação à revolta dos cidadãos ainda-ingleses contra o aumentos dos impostos que o seu Governo lhes queria impor – o que é algo estranho à «nossa» Cultura!).
    Paralelamente, se há que dar ajuda à Banca «privada» – que parece só querer ser privada para os lucros -, então essa ajuda deveria ser pela toma de capital-accionista desses Bancos.
    Aliás, não entendo que o Estado, com o dinheiro dos cidadãos, que frequentemente vivem muito mal nesta nossa terra, dê dinheiro a fundo-perdido a este e àquele. E, nem penso que isto devesse ser um Princípio-geral ao qual se admite excepções, penso que deveria ser «o Princípio» – se precisa do Estado, ou seja do «suor» dos cidadãos, então tem de ter como sócio esse cidadão. Aí sim, Anunes, poderíamos misturar accionistas com trabalhadores.

  5. PMPa 12 Out 2011 as 11:21

    QM,

    Você não parece querer entender que o capitalismo racional (o unico que é liberal na prática) é um regime que necessita do estado para se manter e evoluir.

    Marx não conseguiu vislumbrar que a social-democracia era a terceira via e a única que combina as forças do capitalismo com a racionalidade que o estado pode dar à macro-economia.

    A intervenção do estado na economia de forma suave, é identica á que existe nos outros dominos, como na segurança interna e externa, na justiça, nas obras públicas, na saude, na educação.

    O capitalismo laissez-faire anarquista nunca existiu de uma forma estável porque é lógicamente instável, dada a propensão humana para atitudes extremamente optimistas ou pessimistas em termos económicos.

    A purificação do capitalismo pela falência generalizada de bancos e a seguir de empresas é uma ideia sem pés-nem-cabeça sob o ponto de vista da racionalidade, mas é na prática o que está por traz desta teimosia a reparar a enorme asneira que foi a criação de uma moeda federal sem divida federal, uma impossibilidade teórica agora demonstrada na prática.

  6. PMPa 12 Out 2011 as 11:56

    Mais capitalismo racional :

    http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=511335

    França emite garantias de 42,85 mil milhões para ajudar a reestruturar o Dexia

  7. Carlos Jorge Morais Louresa 12 Out 2011 as 12:03

    Senhor Anunes

    Apesar de não ser economista julgo ter entendido seu artigo cuja qualidade considero excelente.

    Como possuo apenas o bacharelato em Engenharia Electrotécnica em 1984, e não tenho algum receio de perguntar quando tenho dúvidas e mostrar a minha ignorância, gostaria de perceber melhor, caso fosse possível a sua seguinte frase: …” Governo e a Troika querem capitalizar a Banca para que esta consiga assumir o incumprimento do pagamento das EP’s e os “Hair cuts” das Dividas soberanas nos seus balanços”.

    As minhas questões são as seguintes:

    1ª Capitalizar um banco significa injecção/empréstimo de dinheiro;

    2ª A proveniência desse dinheiro corresponde à linha de crédito criada pelo governo para o sistema bancário português ou outro tipo de financiamento como o Banco Central Europeu?

    3ª Essa quantia financeira não é dada aos bancos mas sim emprestada, julgo eu; logo os bancos vão ter de pagar essa dívida e os respectivos juros num prazo coniserado “apetecível”;

    4ª Como é possível ao sistema bancário assumir o incumprimento do pagamento das EP´s e os Hair Cuts das Dívidas Públicas, que não sei o que é, com dinheiro emprestado e logo com custos?

    Em termos práticos colocaria a questão desta forma :

    1- Injecta-se/ empresta-se ( ? )100 unidades monetárias numa entidade bancária;

    2- O banco regista nos seus quadros contabilísticos que as dívidas mencionadas no seu artigo são custos irrecuperáveis logo prejuízos num determinado prazo; digo isto porque parto do principio fundamental que o sendo o Estado uma pessoa de bem, pagará sempre as suas dívidas; suponhamos que os valores dessas dívidas correspondam a 80 unidades monetárias;

    3- A diferença de 20 unidades monetárias constitui o “aliciante” para o banco financiar as PME e desta forma obter os lucros necessários para poder reembolsar o valor monetário injectado, seus respectivos juros e aumentar os seus lucros pela operação?

    4- Na impossibilidade de não pagamento dos bancos do financiamento inicial os senhores donos linha de crédito, assumirão o controlo do banco e os accionistas deixarão de ser os verdadeiros proprietários.

    Desculpe-me pela forma ligeira como coloquei a questão.

    Obrigado.

    Carlos Jorge Morais Loures

  8. quelhas motaa 12 Out 2011 as 13:09

    PMP
    De facto, não entendi. É que nunca entendi a «racionalidade» do Estado e das suas intervenções – as barbáries que os Estados têm cometido ao longa da História Humana, são o exemplo da racionalidade-do-Estado. Não só o Estado não é racional como em geral o comportamento Humano também não o é. Aliás, seria horrível se vivêssemos no meio da racionalidade: num «hoje» no qual saberíamos tudo o que iria ocorrer amanhã e, até, no qual o meu vizinho – por tão racional que é – nunca fosse capaz de me surpreender.
    Foi para tornar tudo «racional», ou seja pré-Visível, que a URSS teve de tirar tudo aos cidadãos, em primeiro lugar, claro, a própria possibilidade-de-cidadania – e, repare que ainda assim saiu-lhes tudo irracional, ou seja imprevisível.
    Eu penso que está aqui um dos mais sérios problemas epistemológicos das ciências sociais, nomeadamente da economia. É evidente que só podemos pensar segundo modelos lógicos – racionais -, mas tentar impor modelos-racionais pré-concebidos à Natureza, é fazer o contrário do que a ciência deve fazer face ao método que a define.
    PMP
    Por outro lado, não me parece, racionalmente, que haja uma terceira via; entre um extremo e outro extremo há muitas vias, infindas vias. A terceira via portuguesa tem muito pouco a ver com a inglesa ou a alemã, ou a sueca, ou, até, a americana (que também se pode ver como uma terceira via).
    Finalmente, eu nunca defendi aqui, nem defendo, um lassez-faire. O que eu defendo é uma relação equilibrada entre o Estado, como «servo» dos cidadãos organizados numa Nação, e os próprios cidadãos enquanto representativa da e de «Humanidade», já que cada ser-humano é muito mais do que a sua manifestação (aos outros) como cidadão. O Estado é para servir os cidadãos e não o contrário – ainda que «isto», acabe por ser um contra-senso empírico, já que o Estado defende sempre cidadãos, só que frequentemente defende uns cidadãos contra os outros cidadãos.
    O que Marx não entendeu – claro, na minha opinião -, é que o problema que ele aponta, não estava nos capitalistas nem estava no capitalismo, o problema estava no próprio Estado, é o Estado, com a sua intervenção assimétrica, que Cria à sua sombra os capitalistas dos quais as elites politicas fazem parte, é o próprio Estado que serviliza os cidadãos, lhes retira o «suor» para entregar àqueles com o fundamento que criam desenvolvimento e ainda lhes dão um lugar para «suar».
    Aos meus amigos eu recomendo Tocqueville: Da Democracia na América, e, Broonstin: Os Americanos, a experiência colonial.

  9. PMPa 12 Out 2011 as 14:08

    QM,

    Você não entende que o capitalismo racional, ou seja a social-democracia , é uma extensão lógica da democracia politica ou do liberalismo politico.
    Nos paises onde a social-democracia mais foi aprofundada verifica-se um sucesso económico e social sem precedentes.

    A explicação é lógica e perfeitamente demonstrada pela história dos ultimos 200 anos e baseia-se no simples facto de cada acção individual no plano económico não convergir para um solução estável.

    Não é necessário nenhuma teoria da conspiração para provar isso, basta perceber um minimo da psicologia humana, especialmente em situações de crise veja por exemplo :
    “Leviathan or The Matter, Forme and Power of a Common Wealth Ecclesiasticall and Civil, commonly called Leviathan, is a book written by Thomas Hobbes which was published in 1651. It is entitled after the biblical Leviathan. The book concerns the structure of society and legitimate government, and is regarded as one of the earliest and most influential examples of social contract theory.”

    Isso não acontece por acaso mas sim porque a intervenção suave do estado numa economia capitalista permite contrariar os excessos de optimismo ou pessimismo que um sistema totalmente laissez -faire apresenta e que leva esse sistema laissez-faira á sua prórpia destruição.

    De igual modo de verifica que a nivel politico não existem soluções totalmente libertárias7anarquistas que sejam estáveis.
    É inutil para a discussão tentar comprar o capitalismo racional com comunismo ou nazismo ou outros sistema totalitários.
    Estamos a tratar de soluções macro-económicas e sociais em democracia.

  10. PEDRO PINHEIROa 12 Out 2011 as 15:39

    Caro Anunes
    Exige-se a regulação do sector financeiro, não pode ser um poder incólume nos prejuízos que a sociedade sofre, a relação entre o político e o financeiro deve mudar, é uma questão de justiça. Posso argumentar que é para o bem de todos os bancos recorrerem à linha de crédito criada pela TROIKA para se recapitalizarem, que devem contribuir para o crescimento económico saudável, isto é, realizarem empréstimos que tenham retroactividade em termos económicos, que beneficiem o bem comum. Esta foi a ética utilizada para salvar a Banca, isto é, devemos ajudar os bancos sob o risco da destruição da economia. Por outro lado , não podemos esquecer que os activos tóxicos da banca deve-se em grande parte à sua irresponsabilidade.
    Eu pergunto-lhe caro Anunes, é conducente os lucros que a banca nacional apresenta em relação ao desempenho económico do país?? Não devia promover o crescimento económico???
    Acho justificado a pressão do governo sobre a banca, se querem pagas as dívidas tem de recapitalizarem-se e ajudarem as PME, como sabe não existe uma regulamentação que obrigasse a banca a contribuir para o bem comum.
    Temos de encontrar um equilibrio, a Banca tem direito a ter lucros mas regulamentada para contribuir para o bem comum, impulsionar o crescimento económico. Não se trata de comunismo soviético ou feudalismo mas devíamos por na ordem, educar a banca para a sua verdadeira tarefa, contribuir para o crescimento económico.
    Contudo essa regulamentação séria da banca, ainda esperamos da Europa.

  11. Jose Lapalicea 12 Out 2011 as 15:49

    Se ao menos o Estado português tivesse um banco que pudesse fazer empréstimos úteis para a Economia…. Mas se até um banco ali para os lados do Campo Pequeno emprestou dinheiro a especuladores bolsistas (já para não falar nas obras de infraestruturas megalómanas), dá para ver qual o ponto de partida para a melhoria da ética bancária em Portugal.
    Sabendo da capacidade da regulação em Portugal e também do peso da banca na acção dos governos, é expectável uma mudança de 360º no status quo actual.

  12. anunesa 12 Out 2011 as 17:52

    Alguma confusão relativamente a algumas destas intrincadas questões o que é natural.
    Tentando ajudar, esperando, sem complicar:
    Vamos, em primeiro lugar, assumir claramente a existência de duas “Bancas” claramente distintas:
    Uma é a Banca, que podemos chamar “2007″, as Leman Brothers e afins deste mundo, altamente especulativas e com os seus balanços carregados de “activos tóxicos” de toda a ordem.
    Concordo que, com esta “Banca 2007″, não deve haver contemplações. Os Estados devem intervir agressivamente no sentido de salvaguardar depositantes e a confiança no sector financeiro, e os accionistas e gestores devem pagar um preço elevado pela sua ganância irresponsável.
    Mas desta Banca só tinhamos dois pequenos exemplos no nosso país que, de uma forma ou de outra, mal ou bem (se calhar mal), já foram (quase) arrumados.
    A outra, é aquilo a que podemos chamar a “Banca 2011″.
    A “Banca 20011″ é, entre outras, também a Banca Portuguesa, cujo único e grave erro foi acreditar que os Estados Europeus eram pessoas de bem, que as suas empresas públicas eram entidades solventes, e que os ratings que todas as agencias atribuiam, sem excepção, a estas entidades, estavam minimamente correctos.
    Agora o que temos? Se sujeita a testes de stress, esta Banca demonstra grande saúde financeira … desde que não se assuma a possibilidade de todos os activos ligados aos Estados Europeus e ás suas empresas públicas se transformarem em “activos tóxicos” i.e., desde que não se inclua no “stress” a possibilidade dessas entidades não pagarem.
    Por isso, sem essa hipotese, a “Banca 2011″ não necessita de ser capitalizada.
    Mas se assumimos essa hipotese, aí a “Banca 2011″ entra em “stress” e evidencia grandes (estima-se em 200 mil milhões de Euros a nível Europeu) carências de capital. Nesse cenário acabamos com essa, afinal necessária capitalização, a transformar-se numa apropriação, por parte do devedor malandro e insolvente, de parte da riqueza gerada pelo inocente e crédulo “Banco 2011″ em questão.
    Parece algo injusta esta situação.
    Em relação à questão da riqueza gerada pertencer a trabalhadores e capitalistas, essa é a realidade sempre em todas as empresas. No final do dia, o valor acrescentado criado é entregue aos proprietários dos factores de produção que o criaram: Trabalhadores, Accionistas e Credores. Se o Estado, pela via dos impostos ou assumindo-se como “auto-imposto” credor ou accionista, se imiscui no processo, certamente que o irá fazer à custa da perda de rendimento dos anteriores, trabalhadores incluidos, não tenhamos dúvidas.
    Veja-se os despedimentos massivos que normalmente acompanham os processos de reestruturação e recapitalização de Bancos por esse mundo fora.

  13. quelhas motaa 12 Out 2011 as 18:47

    Anunes
    A sua separação de águas, tornou mais clara a questão, para o debate. De facto, é uma malandragem do Estado – entre muitas que se lhe conhecem – «deixar de pagar, para tomar conta» – mesmo que essa não tenha sido a «intenção» (já que o Estado é, há muito, um fã das privatizações).
    Apesar de tudo, gostaria de colocar a seguinte questão: será que toda esta Dívida, por exemplo a dívida da Madeira, das autarquias e de muitas empresas públicas – ocultas até no possível interesse (legítimo, aliás) dos próprios bancos – , terá sido conforme as «boas regras da profissão»? Em particular, conforme a Lei.
    Acho que um inquérito às dívidas seria muito urgente. Possivelmente, descontadas as dívidas «odiosas», cuja tratamento deveria ser separado da «restante» dívida, o défice público – a ser pago pelos contribuintes – pode não ser tão elevado como se diz.
    Quanto à melhor eficiência do sector privado face ao público, sabe que nunca entendi como é que os académicos da área justificam que um «bom» gestor numa empresa privada passe automaticamente a «mau» gestor numa empresa pública. Realmente isto não acontece – em Portugal, e outros países semelhantes, aonde isso acontece, deve ser um «caso de estudo» (uma tese de doutoramento). E, é por isso que, falando-se de «mudança», a questão da dívida odiosa se deva colocar.
    Sinceramente, há alguém que ache que os Hospitais sob gestão privada estão melhor geridos que os Hospitais sob gestão pública? Alguém acredita que a «velha» EDP era pior gerida que a «nova» EDP privada? Ou, a Galp? Se as actividades económicas, como as que fiz referência, se exercem em sectores naturalmente monopolistas ou em em regime de «protecção Estatal», o exemplo nunca será a de uma «boa» gestão privada; pelo contrário, em tais sectores a gestão privada é «habitualmente» pior que a pública, mesmo que esta não seja grande gestão. Ser «bom» gestor em Portugal de grandes empresas privadas, em especial de ex-empresas públicas, cujos monopólios se mantiveram e que continuam a ser sustentadas pelos cidadãos, não constitui curriculum «em gestão» que se apresente «lá fora».

  14. Jorge Bravoa 12 Out 2011 as 20:34

    Q.M.

    Bem visto, simples e claro!

    Anunes

    George Soros está a alertar á mais de dois anos a Europa para o problema.

    O sistema financeiro já antes de 2007, estava perigosamente a ser desregulado e mais uma vez Soros alertou em 2005 os Estados Unidos.

    Depois, nada se fazendo para regular outra vez o sistema, não se pode esperar que os especuladores sejam simpáticos e deixem de ganhar dinheiro.

    Julgo que não se pode excluir a Gerra Económica fomentada pela Alemanha, no pós unificação, desta trapalhada toda

  15. Jorge Bravoa 12 Out 2011 as 20:51

    Anunes

    Análise excelente e clara. (não sei porquê esta parte não passou).

  16. PMPa 12 Out 2011 as 23:05

    http://www.project-syndicate.org/commentary/soros73/English

    Indeed, Europe’s banking and sovereign-debt problems are mutually self-reinforcing. The decline in government bond prices has exposed the banks’ undercapitalization, while the prospect that governments will have to finance banks’ recapitalization has driven up risk premiums on government bonds. Facing the prospect of having to raise additional capital at a time when their shares are selling at a fraction of book value, banks have a powerful incentive to reduce their balance sheets by withdrawing credit lines and shrinking their loan portfolios.

  17. PEDRO PINHEIROa 13 Out 2011 as 9:31

    Não me venham dizer que o BPI não é responsável da sua exposição à dívida soberana grega. Quem concede crédito deve fazer análise de investimento baseada em valores económicos e não em agências de rating, ou em aspectos estritatamente financeiros.
    Toda a estrutura financeira urge a necessidade de uma reformulação dos seus pressupostos.

  18. Anunesa 18 Out 2011 as 7:19

    Caro Pedro Pinheiro
    O BPI certmente é responsável por comprar Divida Grega e Portuguesa.
    Certamente que deveria ter pensado duas vezes antes de se basear em ratings.
    Certamente que deveria ter pensado dez vezes antes de acreditar (provávelmente) que a zona Euro era uma realidade irrevogável e que existia algum grau de solidariedade entre os seus membros.
    Certamente que deveria ter pensado vinte vezes antes de acreditar que, no minimo, os lideres Europeus eram razoávelmente inteligentes e compreendiam, mesmo que ao de leve, o conceito de risco económico sistémico.
    Mas não estamos todos certamente a ver o empresário da construção civil, a quem o BPI tambem emprestou erradamente dinheiro a querer agora, beneficiando da fragilidade que ajudou a criar no Banco, dizr-lhe como deve ser gerido e a apropriar-se dos direitos de accionistas e trabalhadores desssa instituição bancária.
    Mas é isso que os governos Europeus estão a querer fazer.
    E, já agora, com estas decisões, deixando não só o verdadeiro problema por resolver (a Divida soberana e a insolvência dos Estados) e criando as condições para mergulharmos na maior recessão da Historia.

  19. PEDRO PINHEIROa 19 Out 2011 as 15:25

    Caro Anunes
    O que parece-me justo é regular o sector financeiro de forma a não destruir a riqueza produzida, a actuação bancária não deve puder fazer tudo, a liberdade é intersubjectiva, isto é, deve respeitar alguns parametros economicos. A austeridade não deve ser apenas para as pessoas, mas também para as instituições, todos precisamos da educação da austeridade, contudo o sector financeiro parece-me que não pode ficar de fora, até porque deve contribuir para o bem comum. Julgo, na minha modesta opinião, que deve contribuir para o equilibrio necessário entre economico e financeiro. Se julgarmos, que a banca deve ter liberdade total de ação, isto é, escolher a seu belo prazer os seus negócios, corremos o risco de uma nova crise financeira. Ainda ontem, o Doutor João Salgueiro defendia no debate que a banca devia ter essa liberdade, o que discordo em absoluto. Eu considero que a banca devia contribuir para os projectos realmente importantes para o país, ajudar as PME, ser solidária com a recuperação, ate porque em grande parte são os depósitos dos portugueses que utilizam. Não sendo assim, os portugueses deviam repensar a utilidade dos seus depósitos.
    Também sou contra, a subjugação do sector financeiro pelo o economico, é necessário um equilibrio, é nesta ideia que podemos encontrar alguma virtude, e alguma humanidade, os extremos serão sempre subjugações.
    Caro Anunes, não quero ter presunção de nada do que afirmo, mas somente procurar um mundo que fosse mais justo, é necessário que quem anda na lavoura ganhe pelo menos o mesmo que o seu senhor.
    Cumprimentos