Jul 29 2010

O país das maravilhas

Publicado por Filipe Rocha da Silva a 22:00 em Artigos Gerais

Mais uma invenção portuguesa: O caso Freeport – Um novo record também: O único processo no mundo em que existiu corrupção activa mas não passiva. Trata-se de uma espécie de masturbação, se me permitem a metáfora. As notas eram deitadas ao Tejo em Alcochete e seguiam o seu curso até à Foz onde eram comidos pelos peixes que, como se sabe, abundam nessas águas. Foram estes os verdadeiros corrompidos e assim se explica que os zelosos procuradores não tenham conseguido seguir o rasto do dinheiro.
Outra invenção de princípio de Verão: O espectacular negocio da Portugal Telecom. Vendeu 50 % da Vivo que é uma empresa Líder no Brasil para comprar vinte e tal por cento de uma outra empresa, com um share muito menor. O Governo esteve sempre muito activo a defender com grande sucesso os interesses do Estado Português, mas nunca se conseguiu perceber que interesses seriam esses. Se era importante a PT manter a presença no Brasil, então é evidente que esta presença não foi mantida…Entrada de leão e saída de sendeiro.

5 Comentários para “O país das maravilhas”

  1. fvroxoa 30 Jul 2010 as 14:24

    Meu caro FRSilva
    Com os votos de Bom Verão (que pode querer dizer férias…) aqui fica o meu denominador comum retirado da teoria das elites para o que se está a passar neste contexto “crise em andamento” e que suscitou o seu post.
    Há uma série de factores que impedem o desenvolvimento pleno da democracia e, segundo vários autores, as elites oportunistas são um deles.
    Algumas dessas elites “dominam” o poder político e tal confere-lhe a “gestão das massas”… facilitada pelos diferentes media.
    A par destas elites, bem conhecidas entre nós (partidariamente arrumadas, como é normal em democracia) existe uma outra mais intelectual e “progressista”, até mesmo “messiânica”, que acredita ser a detentora tecnocrática da salvação das massas ignorantes nas empresas e, modernamente até aparece como incentivadora dos “entrepreneurs” que ela nunca foi ou será.
    E, muitas vezes, perde-se na sua argumentação rebuscada e mediática de tal maneira que afasta “o povo transversalmente falando” das discussões centrais e decisões criticas, para cada momento e para cada cenário de futuro
    Todos ficamos, mais ou menos, como cordeiros passivos, meros espectadores aplaudindo ou lamuriando.E eles felizes e a dizer”os cães ladram e a caravana passa”.
    Se tiver tempo vale a pena ler um artigo que evidencia, nas suas conclusões, como é pobre a nossa Sociedade se não se reconsiderar multiculturalmente,.
    Estou convencido que já lá não vamos com a prata da casa.Com estas elites da treta.
    E precisamos mesmo de não permitir que a crise “regue” as actuais elites com a água do “nacionalismo bacoco”.
    Cá está então a refencia ao Artigo.
    E Pluribus Unum: Diversity and Community in the Twenty-first Century
    The 2006 Johan Skytte Prize Lecture
    Robert D. Putnam
    Harvard University and University of Manchester
    Scandinavian Political Studies
    Volume 30 Issue 2, Pages 137 - 174
    Published Online: 15 Jun 2007
    FVRoxo

  2. Filipe Rocha da Silvaa 31 Jul 2010 as 8:23

    Mesmo do ponto de vista do nacionalismo mais bacoco, não penso que tais elites se tenham saído muito bem nesta negociação da PF. É a velha técnica de soltar rugidos de leão para disfarçar a cedência em toda a linha. Ou o conhecido “agarrem-me senão eu bato-lhe”… Lembra, com as devidas distâncias, o que se conta sobre o episódio do Mapa Cor de Rosa, nos finais da epopeia colonial. Curiosa a referência do Financial Times ao colonialismo, não?
    Certamente vou consultar o artigo que refere. Gostaria, por outro lado, de saber se lei “A new Philosophy of Society” de Manuel De Landa e que tal lhe pareceu…

    Filipe Rocha da Silva

  3. JRa 01 Ago 2010 as 14:52

    Mas a PT não detinha 50% de uma empresa, que por sua vez detinha 60% da VIVO, pelo que pelas minhas contas a PT detinha 30% da VIVO.

  4. fvroxoa 04 Ago 2010 as 9:50

    Caro FRSilva
    Não só li o livro “A new Philosophy of Society” de Manuel De Landa como o considero, no quadro da geopolitica e da nova abordagem sobre a Transformação da Sociedade um Must Socio Ecológico .Claro, preciso e, sobretudo pequeno mas grande na visão politica.
    Para ficar com vontade de reler.E com vontade de o traduzir e oferecer a Politicos Centrais e Locais.
    Sobre a “a referência do Financial Times ao colonialismo” não apenas a considero “curiosa” como lapidar neste momento turbulento de uma crise “aqui tão perto”.O Mapa Cor de rosa está cada vez mais “negro”.Veremos se amarelece ou “clareia”.
    A Estratégia hoje é uma palavra tão banal que temos de voltar a ter mais atenção à palavra e dimensão da “gestão dos detalhes/pormenores” para além do trivial tecnológico que nos inunda.Neste País das Maravilhas.Mas não só.
    FVRoxo

  5. filipe rocha da silvaa 07 Ago 2010 as 14:47

    Agradeço a JR a correcção oportuna sobre a estrutura da VIVO. De qualquer forma a PT detinha 50% do controle efectivo sobre a VIVO, embora como refere detivesse apenas 30% do capital da empresa.