Jul 14 2010
Os Silêncios de Verão e os Murmúrios de Veremos
Já depois de ter decidido fechar o contributo dos post pré Verão neste blog, constatei que me tinha ficado por 19 contributos (que procurei fossem multifacetados e não muito “tribalistas”). E que o número não me soava bem.
Daí que decidi redigir o 20º e, consolidando a minha observação e análise sobre PIGS e outra Fauna Europeia, inspirei-me em dois mestres que muito admiro: os Professores Jacinto Nunes e Silva Lopes, na sua entrevista conjunta ao jornal Expresso.
Para além de ter lido no ft.com de hoje, artigo alusivo ao êxito futebolístico com derivada económica positiva previsional dos nossos vizinho. E à mensagem fundamental “interesseira” que dele retirei: os pigs também podem voar. Mesmo que para isso tenha de aprender a jogar à bola.
Assim e à medida que se aproxima o Verão, os horizontes do futuro estão-me confusos mas serenos. Parecem mais meras recordações da Casa Amarela com reforços da mensagem simples do mesmo realizador (JCMonteiro) noutro seu filme: quem espera por sapatos de defunto morre descalço .
Entre uma primeira “tranche” de herói negativo que persegue a fortuna e a noite acompanhada por ruelas e recantos sombrios de um País acalorado por calafrios e uma segunda “tranche” de uma história de riso amarelo com crítica social e de um humanismo profundo, validei, pessoalmente e com alguns bons amigos, que o País e os seus heróis esperam pela “hora do calor à sombra” para decidir se vamos ser ou apenas parecer. E parece que só vão saber que os problemas são realmente muito graves depois de se debruçarem sobre a temperatura das águas do mar agitado sem coragem de mergulhar.
Coragem!!! dirão os peixes a quem Santo António pregou em Sermão, logo que terminem as férias de Verão e voltemos a pegar em trabalhos .
Com Passos bamboleantes e Cicutas cheias de Gasosa preparamo-nos, para já, dançar o fandango em festas de Verão.
Não o tango para não ferir o virtusismo desaparecido de Piazzola.
Mas foi depois de dois jantares SEDES “concorridos por pequena multidão” (20 a 25 participantes com uma média de idades de 50 anos) que decidi fazer o 20º post, sem muita vontade de escrever até ao 25º, lá por alturas de tudo acontecer em Portugal como aconteceu no filme a 25ª hora (no meio de uma história curiosa, um prisioneiro passou por ariano e nem deu pela guerra passar entre realidades e ficções da época).
Jantar/Debate sobre a Reforma (s) da APCentral: Dedicado ao tema “Que Administração Pública para enfrentar a crise?” que foi moderado pelo Comendador Henrique Neto e animado pelos conferencistas (por ordem de intervenção) João Figueiredo, Fausto Quadros e Valadares Tavares, deu para se perceber que só não se faz mais porque “todos os partidos” querem que se faça tudo muito devagar e sem profundidade. Maquilhagem mais do que intervenção profunda.Acertos mais do que rupturas.Evoluções mais do que revoluções.
Jantar/Debate sobre a Competitividade da Economia Portuguesa: também depois do repasto senti que vamos estando cada vez mais conversados. “Portugal - Ganhar o Futuro” foi o tema em que intervieram Luis Palha da Silva, Vitor Bento e João de Deus sob a moderação de Miguel Gaspar do Jornal o Público. E percebi que afinal o diagnóstico sobre a nossa situação económica e financeira ainda (nunca) está feito e que as visões técnicas holísticas não enganam: podemos matar a sede de qualquer forma, mas só aliviamos a sério a nossa sede se bebermos água da fonte do Parnaso.
E, entre os murmúrios, da fonte, olhando o horizonte dissermos o velho vocábulo que é meio de ameaça e meio de esperança.Veremos.
Boas Férias ( a quem ainda as pode ter)
Francisco Velez Roxo