Jun 09 2010
Um NOVO PECCC é obrigatório
A Economia dos nossos dias é cada vez mais um mistério para o comum dos cidadãos em todo o mundo.Um mistério que está entre o conceito de Big Bang e o conceito de Guru. Muito se desconhece do como nasceu e qualquer “sábio de livro ou filme” é capaz de prever como vai acabar ou poderá acabar o mistério. Só que, na prática, para esse mesmo comum cidadão, o mistério mesmo sem ser muito mediatizado, desvenda-se todos os dias de uma forma simples e dura: ou se sobrevive, eventualmente crescendo um pouco ou se morre lentamente, até estabilizar na eternidade.
Dizia-me um amigo de infância há dias, entre o abraço do reencontro, os elogios da boa forma física e a inevitável referencia à crise: “…ou se tem, ou não se tem confiança e consistência na vontade de lutar pela vida mesmo sem grandes riquezas. Ou se quer ou não se quer ter os beneficio de confiar e ai é que estou a perder a esperança. Os mistérios da economia são cada vez mais motivadores da descrença nos governantes”.
Respondi-lhe que, o muito ou quase tudo que ele “abominava”, era em grande parte o resultado de se ter evoluído neste século, para uma economia virtual . A par do querer tudo ou quase nada na economia real que afinal não resultou. Pelo menos para a Europa e para os Estados Unidos da América.
No final da conversa concluímos, entre duas frescas cervejas acompanhadas com tremoços (a crise fez regressar em força este precioso marisco de terra): a economia é um ” mistério de sobrevivência que não teve milagre neste inicio de século e os homens e as organizações mais parecia estarem à procura do principio de tudo ou à espera do fim de tudo. E , no mundo actual high tech, no dia à dia, parece estar marcado por “todos sempre à espera de mais surpresas”. Na Economia de guerra e na economia de paz.
Ficámos em paz mas apreensivos e, como bons e criativos portugueses, lá desenhámos na toalha de papel da mesa do café um novo PEC. Só que com mais Cs e não quantificado.
Simples.Mas, porque do domínio do comportamental, difícil…
PECCC
P- Portugal não é diferente dos outros Países. É apenas e tão só, mais um País, uma Nação, um Povo e, temporariamente uma Selecção que só tem de se queixar de si própria quando não ganha, ainda que por vezes dê jeito dizer mal do árbitro. Temos muita emoção à flor da pele e, como disse o filósofo José Gil vivemos “com medo de existir”.
Mas que vai sobrevivendo à procura do futuro misterioso e à espera de D.Sebastião. Um mistério em resumo.
E-Excelência é coisa que por cá não cultivamos em permanencia. Somos bombásticos ou bombeiros. Mas nunca gerimos os detalhes da execução excelente. Como disse Vasco Santana ao António Silva no filme ” Páteo das Cantigas” quando “o Evaristo” partia com a filha para umas “férias a águas no Cartaxo” (talvez a origem do claim publicitário vá para fora cá dentro): saudade é coisa que cá não deixas, hoje dizemos com frequência : excelência é coisa que cada vez temos menos. Paranóia consumista , pelo contrário, muitas vezes não falta.
Seguindo o exemplo do Mestre Manuel de Oliveira, um exemplo ímpar da Excelência que ainda temos e ao longo dos tempos foi possível vermos reconhecida por sermos mesmo bons.Só que agora é obrigatório que o sejamos ainda mais e que no futuro cultivemos esse objectivo e forma de vida com paixão e razão.Mesmo que só com a recordação de grandes figuras de cultura e do mundo empresarial.Com recordação de grandes Estadistas e homens de Estado que já tivemos. E vamos ter de o fazer com entusiasmo se quisermos sobreviver como Povo. Mas de uma forma mais real que mediática.
Mesmo que o filme dessa nova excelência, seja por vezes de difícil descodificação para o grande público é preciso reforçar-se que Excelência respira-se nem que seja só no ambiente de uma sala de espectáculos, ou no sono leve entre duas cenas mais bucólicas de um filme ou paisagem.Ou no suor de uma mata a ser limpa sem necessidade de voluntariado voluntarista.
Mas deve é sempre sonhar-se essa Excelência no futuro das capacidades produtivas de uma Economia não alienante.De Organizações modernas e humanas ganhadoras e pouco burocráticas.De Vida pela Vida.Transparente, desafiante e consistente.
C-Consistência-Os teimosos e de mau feitio estão todos arrumados e catalogados num País como Portugal: são os do “botabaixisnmo”. Os contestatários, os que “não são dos nossos” ou “são dos nossos mas descontentes”. Os Rolhas. Ou ainda os que têm dinheiro ou poder jornalístico e até se podem dar ao luxo de contestar o Poder.
Não vale a pena gastar mais tempo com esta segmentação. Portugal precisa é de ter as águas separadas entre Pessoas Consistentes e Pessoas Inconsistentes. Pessoas com mais coluna (com flexibilidade para não partir) e menos rins (com bom funcionamento para não entupir). Consistentes no pensamento e na acção.Ter o rigor dos militares sem ser militarista.
C-Confiança-Um excelente livro de ensaios de João Lobo Antunes recém editado ” Inquietação Interminável”, mesmo que dedicado ao tema “ética das ciências da vida”, funcionou após 6 horas de leitura ininterrupta da minha parte, como uma fonte inspiradora de Confiança. Pela simplicidade com que está escrito. Pela frieza como me provocou emoção. Pelo encanto de Confiança com que me brindou ao referir de Éluard a frase “le dur désir de durer”. Recomendo vivamente a leitura do capitulo Dignidade (pag 89 a 104).
C-Crescimento- Crescer para os lados foi uma expressão que, na conversa, com o meu amigo utilizei mais de uma vez. Porque ele, gordinho e anafado, me disse repetidamente: esta vida de secretária fez-me engordar. Estou um pneu ! Faz-me falta trabalho braçal.
A esta “tomada de posição” respondi-lhe com amizade: “se tivesses crescido tanto como eu (1,89), tinhas um outro problema adicional serias grande e gordo, mas poderias ser “jogador de “sumo”. Não lhe estava a dar receita “japonesa”, mas a fazê-lo ficar de olhos em bico perante o desafio: crescer para cima e para os lados não é uma questão eminentemente física. É uma questão psicológica e de entendimento das grandes lições da história sobre o crescimento dos impérios e das economias. E do seu declínio nunca acautelado pelos líderes envaidecidos, loucos ou incompetentes.
E lá terminámos a discutir como é que se pode crescer sem engordar desenhando o “nosso PECCC” de uma forma simples e sem mistérios:
- Em Portugal, por na ordem uma série de gente sem princípios e valores é tema de justiça. Há que fazê-la.Sem medo.
- Clarificar que crescimento não são apenas “taxas “, é uma tarefa de consistência politica .Há que encontrar novas fórmulas de Excelência Organizacional e do Estado .
- Evidenciar que crescimento também é poupança, é simples bom senso e confiança.
- E que para isso temos de voltar a confiar que o Estado não gasta o que (quase) todos pagamos. Que é uma “Organização de Bem”.
Próxima tarefa do nosso encontro já aprazado: quantificar tudo isto com o apoio de especialistas internacionais que já conheçam o PEC “validado” na Assembleia da Republica.
Único problema a resolver: serem “Verdadeiros Amigos de Portugal.Verdadeiros sobretudo!”.
FVRoxo
2 Comentários para “Um NOVO PECCC é obrigatório”
Quanto à excelência concordo com a sua insistência.Banais nunca chegaremos seja a onde for.Mas pode esclarecer-me sobre como é que o crescimento também é poupança?Crescimento tem de ter investimento e não apenas poupança.As nossas poupanças têm sido desbaratadas pelos maus investimentos.Logo…não percebo muito bem o se ponto de vista.
No fim percebi o que queria dizer com um novo PEC com 3 Cs. Quantifique por favor.
RZ
Caro Rafael Zeferino
Obrigado pelo seu comentário.
Quanto à sua questão de que crescimento também é poupança a reposta é simples e de abordagem linear.
A poupança da familias permite, por exmplo que se dependa menos de importações estas muito motivadas pelo incentivo ao consumo.E até de hipóteses de exportação como é o caso dos derivados do petróleo(gasolina, gasóleo,…).
No final melhor gestão da dívida externa que é o noso quebra cabeças máximo.
No caso das empresas a situação ainda é mais evidente e um pouco pelas mesmas razões da familias. E também porque a alavancagem do endividamento tem um limite técnico e de bom senso.
Poupança para reinvestimento é equação evidente para todos (familias e empresas) e no caso das empresas, os capitais próprios são um elemento fundamental para quem deseja ser empresário nos tempos que correm.
Por outro lado, investir é um elemento de correlação económica económica não directa, com o proceso de crescimento.
Mas muito mais directa se houver melhorias de produtividade.
Quando refere que as nossas poupanças foram mal investidas percebo o que quer dizer.
Mas mais do que investir poupanças o problema está em contrair dívidas para criar elefantes brancos.
Quanto à quantificação dos 3 Cs em breve lhe darei novidades.
Para já a economia cresce, no meio de um debate sobre quanto e como.Nos resultados de Junho me fundamentarei melhor quanto à confiança e ao crescimento.
Para já ganhámos à Coreia..
FVRoxo