Mai 16 2010
“Centralização”
As expressões ” Bloco Central”, “Centrão” e “Centralão” passaram as ser muito utilizadas por cá nas “guerra de palavras” mais ou menos acaloradas à esquerda e à direita, quando, depois da democracia dar os primeiros passos, se fechou o ciclo “revolução” e um governo de “Bloco Central” (o 9º Governo Constitucional que iniciou a sua actividade a 9 de Junho de 1983, um dia antes do Dia de Portugal…) não obteve os resultados máximos nas provas em que competíamos ( salto em comprimento e salto em altura).
Ficaram os palavrões “Centrão e Centralão”, para o “dicianedotário nacional”, como não podia deixar de ser.
Apesar do que conseguimos com muita coragem, determinação, apoio externo e dor, o passado guarda-nos sempre uma palavra forte (terminada em “ão” neste caso) para nos meter medo relativamente ao futuro. Ao contrário do que sugere, muita da nossa conversa “português suave”, quando utilizamos o sufixo “inho” tão apreciado por alguns dos meus amigos estrangeiros e que empregamos nos nossos “debates” em palavras como “sacrificiozinho”, “dinheirinho” ou “trabalhinho”. Para além de “almocinho ou jantarinho” quando há boa comida.
No Governo do “Bloco Central”, a pasta das Finanças foi entregue a Ernâni Lopes, o “Economista” independente dos dois partidos, que assegurou uma gestão responsável da recuperação económica e credibilização financeira. A este “Grande Economista” todos devemos sempre, mais que uma palavra de agradecimento, uma Grande Homenagem pela sua coragem, frontalidade política, rigor técnico e criatividade humanista no desenvolvimento do País e da Europa.
Pelas mesmas razões que hoje, para mal dos nossos PECados, voltam a estar sobre a mesa os mesmos ou piores problemas, precisamos de novo(s) “Lopes” e, talvez, de um novo “modelo de Administração Central”.
Mas, atenção, sem os “pesadelos do Centrão ou Centralão”.
Será possível? Tem de ser… Porque agora estamos mais numa de “Centralização” Europeia!
Pessoalmente encontrei já várias vezes na vida o “centrão”, “rapaz tipo” que às vezes até é “esperto”, “gargalha”, ” pouco trabalha” e “muito atrapalha”. Só executa a bem com todos “cortiçamente falando”. Sem conteúdo político e até técnico, mas “alinhado”, mesmo sem ser militante e apenas “amigo de”. E viaja até à Europa Central a expensas do erário público.
Recordando um pouco como chegámos a” isto” para além da crise internacional e da globalização:
Na Europa a Estratégia de Lisboa falhou na tentativa de nos posicionar na atmosfera do estrelado mundial e por cá os governos que se sucederam ao do Bloco Central, foram quase sempre especialistas no triplo salto na sua tentativa de frente e ligeiramente para o alto, (assentes ora numa perna ora noutra) e tiveram muitos resultados quase sempre anulados por erro técnico (pisavam sempre o risco…).
Numa boa e simples síntese, o jornal Público de hoje trás na capa os dois números da nossa “magia negra” (datas terríveis 1983 e 2010) e um conjunto de abordagens dos quais destaco a relativa às nossas contas externas, o grande motor do reforço, já não do “Centrão”, mas da “Centralização” económica e financeira em marcha.
Ao reflectir desde há alguns meses sobre os Prós e Contras da solução “que remédio…”, que está em políticamente em marcha (para uma prova de marcha em que não vale correr…), acabei por me ir convencendo de que antes ” o mau sabor do remédio que a morte anunciada”. Como escreveu Henrique Monteiro no Expresso de 4 de Maio passado “…eu sei que há um grande risco: os interesses e a distribuição de tachos. Mas isso… quando o PS e PSD não estão coligados, existe à mesma. E não se tem assistido a mais controlo parlamentar ou a mais denúncias de corrupção por estar o PS ou o PSD na oposição.”
Concordando com Henrique Monteiro, considero que a inevitabilidade económica assim o exige , mas por contraposição, a “Centralização dos Políticos e da Política” não se pode fazer ou desejar da mesma forma que vai acontecer a “Centralização Económica e Finaceira Bruxelas Style”.
Porque num País pequeno como o nosso, um processo desses no actual contexto da Sociedade da Informação, pode custar mais à democracia, que os efeitos psicológicos e financeiros da “nuvem islandesa” provocaram a todos os que nos aeroportos olhavam, com os pés em terra e impotentes, para o céu cinzento. E nem o ” magalhãesinho” ligado à banda larga nos vale.
Agora que Sua Santidade já partiu, depois de uma visita pastoral serena e só polémica na “tolerância de ponto”, o Benfica já ganhou o campeonato e faz uma aliança com o Sporting para eleger um portista para Presidente da Liga dos Clubes, deitemos mãos à “centralização” de que necessitamos.Á “focalização” no que temos de fazer.
Pessoalmente ontem dia 16 de Maio depois de ter participado com mais cerca de 700 pessoas num evento verdadeiramente “intergeracional” - o TEDx Lisboa http://www.tedxlisboa.com/ que se realizou no Auditório da Faculdade de Ciências de Lisboa (“Um dia de ideias com Mentes Abertas”), fiquei mais convencido e animado. E “Centralizado” .
Entre a intervenção do ex-Presidente da Junta da Ericeira Joaquim Casado com o seu empreendedorismo na reciclagem, Maria da Conceição heroina do Dhaka Project, Henrique Cayatte na diferença do design e do sentido da vida, a música sem números dos “ Noiserv”, “Nome Comum” e do violino de Natalia Jusckiewicz. Para além da força dos números e ideias de António Barreto, a declamação ardente de Nicolau Santos, o Humor de síntese de João Cunha. E a garra da organizadora Cristina Marques da Silva apoiada numa fantástica equipa de voluntários.
“Centralização” final :
Há ainda vida para além dos problemas económicos e financeiros que temos. teremos, mas que vamos ultrapassar.
FVRoxo
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