Mar 23 2010

PEC - O PROGRAMA DO NOSSO DESCONTENTAMENTO

 

1.      Num clima de ressentimento e de ódio, a grande maioria dos nossos políticos e dos órgãos de comunicação social não consegue criar as condições de transparência e de lucidez para enfrentar  mais uma crise em que caímos.

2.      A discussão critica e construtiva do  PEC está ferida de morte. Os objectivos são claros e bem quantificados e não há muita a volta a dar. Os meios para atingir esses objectivos é que deviam ser analisados de uma forma serena, sem a irritabilidade e a demagogia que se instalou no debate político.

2.1.   É obvio que se tem de aumentar os impostos, mas o montante de receita que se pretende atingir pode ser conseguido com uma composição diferente da proposta. Devia ser encarada a hipótese de os rendimentos auferidos por quem recebe dois salários mínimos não virem a ser afectados, sendo essa quebra de receita compensada com aumento de impostos indirectos (ex: aumento do IVA para determinados produtos) .

2.2.   É urgente que quem governa dê exemplos claros de que a austeridade começa em cima. Só um exemplo: aumentar a produtividade dos gabinetes dos ministros com a redução do número de assessores, que muitas vezes são inferiores em qualificação e experiência aos técnicos que existem e estão mal aproveitados nos ministérios.

2.3.   Há de certeza um largo campo para cortes de despesa, se o Governo adoptar uma atitude de Rigor e Recato. Reduzir as despesas com apresentações públicas, descer a potência dos carros e mais um inumerável monte de coisas que todas as famílias fazem quando querem verdadeiramente poupar.

3.      Tentar entender o programa de privatizações, apresentado neste PEC, à luz de uma estratégia de defesa e manutenção de Núcleos Nacionais  é exercício inútil e espúrio.

As perspectivas são negras. A sucessão de erros feita pelos diversos  governos desde 2000 já tornou esse objectivo inútil no caso da CIMPOR e antevê-se o mesmo resultado para a GALP, agora com outros protagonistas. O papel da Caixa nestes últimos desenvolvimentos atesta bem a desorientação do accionista Estado e a falta de estratégia do próprio Grupo, que deixou há muito de ter identidade e estratégia própria, parecendo ,por vezes, mais um pronto socorro  que acorre a todos os fogos, sem  linha  de rumo e sem dimensão para os desafios que tem de enfrentar.

Para cúmulo, o Governo pretende privatizar a Caixa Seguros esquecendo-se da importância que este sector  tem vindo a representar  nos resultados do Grupo (cerca de 25% em anos normais), destruindo as sinergias que se criaram e que tão bons dividendos proporcionaram ao Estado.

Não se entendendo a lógica de outras privatizações menores, a não ser fazer receita,  preocupa-nos seriamente o caso da REN, que representa uma infra-estrutura base e estratégica para o País. A preocupação resulta simplesmente porque se sente que não há qualquer modelo estratégico  de quem tem responsabilidade por estes dossiers .Não nos admiremos, pois, que estejamos, dentro de poucos anos, numa situação idêntica à que recentemente se verificou na CIMPOR.

Ao menos, olhem com a devida atenção para o que tem sido implementado e defendido pelos nossos vizinhos espanhóis…

4.Nunca esquecendo que era preciso um quadro de referência como o PEC, era possível, atingindo os mesmos objectivos, ter sido feito um trabalho de casa mais sério, justo e coerente.

 

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2 Comentários para “PEC - O PROGRAMA DO NOSSO DESCONTENTAMENTO”

  1. FVROXOa 24 Mar 2010 as 16:55

    A crise foi a crise.É verdade e estamos conversados.
    Mas afinal a estratégia do País, no quadro Comunitário, não existia?Com resultados conseguidos até.
    E agora, se o PEC é tambem de crescimento,para além da ” inevitável estabilidade”, porque dizermos que “A discussão critica e construtiva do PEC está ferida de morte”?
    Só sabemos viver em crise e com desculpas de crise?
    Ou as elites Politico Partidárias afinal apostam no contrário do que expressam as palavras de palavras COC “nunca esquecendo que era preciso um quadro de referência como o PEC, era possível, atingindo os mesmos objectivos, ter sido feito um trabalho de casa mais sério, justo e coerente”, por motivos não expressos e/ou de pura inconsciencia?
    Rico tempo o dos TPCs que fazíamos nas Escolas e Liceus.Descontando o contexto politico que todos condenamos, temos de voltar ao Back to Basics, do tempo do Secretariado Técnico da av D.Carlos I.
    FVRoxo
    Nota complementar: Quanto à privatização da Caixa Seguros fico menos preocupado que com a da REN.Porque “destruindo as sinergias que se criaram e que tão bons dividendos proporcionaram ao Estado” evidencia uma visão que deve ser ultrapassada, estrategicamente, e em minha opinião,no pós crise (que até já começa a ser anunciado).
    Seguros sim.Mas na Economia dos Transaccionáveis.
    FVRoxo

  2. Mauricio Vanderleia 24 Jun 2010 as 14:49

    Vivemos neste país uma verdadeira republica das bananas, desfazem das leis, atitudes anticonstitucionais sempre a frente dos interesses dos contribuintes, tudo voltado para os interesses econonicos. Estamos mesmo a parecer um destes países sub-desenvolvidos da Africa, é mesmo um verdadeira vergonha internacional o que Portugal estar a se portar diante das dificuldades sociais, é um verdadeiro roubo aos bolsos dos que tem menos poder economico, tudo isto em nome de uma corrupção desenfreada, o resultado vai ser uma crise social de imensa propoção que vai levar o país a beira de um colapso.