Fev 11 2010

Parlamento Global (http://www.parlamentoglobal.pt)

Publicado por Pedro Pita Barros a 10:59 em Artigos Gerais

Ontem foi um dia de experiência - acompanhar alunos da Faculdade para comentar ao vivo e “minuto a minuto”, via blog, a discussão do Orçamento do Estado para 2010.

O interessante da experiência pode-se resumir em:
a) não são definitivamente os jovens universitários que estão afastados da política - o entusiasmo e a vontade de ouvir e discutir era grande; as expectativas estavam a meia altura, com receio de que a discussão entre parlamentares pudesse ser pouco interessante (afinal, é a imagem que passa
com as reportagens sobre as discussões parlamentares).
b) as discussões parlamentares, quando derivam do tema central, e entram nos ataques e acusações, rapidamente levam à reacção nos jovens que pode ser descrita como “lá vão eles para o costume, para desespero de todos”; apesar das baixas expectativas, não deixou de ser visível a frustração dos jovens com o rumo de parte do debate;
c) aspecto positivo - a imediata interactividade com vários deputados; com apresentação de posições e pontos de vista; uns mais extremados do que outros, mas sem sair da linha de respeito pelo pensamento dos outros mesmo que não seja igual ao nosso.

Do meu ponto de vista, confesso que depois da parte da manhã do debate fiquei sem perceber qual o objectivo útil que se pretende alcançar com o debate. Há muito de debate pelo debate, de vozearia, e de repetir (para as camaras de televisão?) argumentos e posições já anunciadas, sem sequer se procurar cuidar de ouvir o argumento contrário. Não são reuniões orientadas para a decisão (se calhar não têm de ser), mas a partir de certo ponto torna-se penoso assistir. Como o problema não é das pessoas envolvidas, dos deputados, uma vez que a troca de comentários via blog foi decididamente mais interessante que a discussão via microfone, começo a pensar que é o próprio modo de organização das sessões que gera a situação.

Em resumo, não é preciso aproximar os jovens da “política”, há apetência deles para isso;

É preciso é não os expulsar, com a sensação de inutilidade das discussões e dos processos existentes.

Quem quiser pode ver uma breve reportagem aqui:
http://www.parlamentoglobal.pt/parlamentoglobal/multimedia/video/2010/2/10/100210+peca+blog+parlamento+global.htm

2 Comentários para “Parlamento Global (http://www.parlamentoglobal.pt)”

  1. Fvroxoa 13 Fev 2010 as 11:07

    Caro Pedro
    Gostei.
    E sobretudo comungo da perspectiva …
    “Em resumo, não é preciso aproximar os jovens da “política”, há apetência deles para isso;
    É preciso é não os expulsar, com a sensação de inutilidade das discussões e dos processos existentes”

    E aqui fica, fora do OE, mas “orçamentado para a vida”, um link para depoimento sereno e emocionado qb, evidenciando bem como se pode e deve ter sempre esperança e preserverança.Sobretudo quando se é jovem de idade.
    E, tambem que (descontando a leitura em sentido estrito) “há mais vida para além do deficit”.
    Mesmo que seja óptimo não o ter.
    Ficam tambem os votos, não carnavalescos, que os mais novos sejam capazes de contar uma outra história deste País, desta Economia, com serenidade e emoção não mentalmente corrupta.
    Como aconteceu no acompanhamento do debate do OE

    http://www.ted.com/talks/lang/por_br/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html

  2. Manuel Monteiroa 09 Jul 2010 as 12:21

    Boas:

    Li este comentário,sobre este jovem que visitou o Parlamento e assistiu a um debate. mas também li o comentário feito à observação deste Jovem.

    De facto o nosso parlamento peca em quase todos os pontos,onde deveria estar assente a sua dignidade.
    Vejo com frequência no (canal 2 ) as sessões do parlamento, apesar da sua mediocridade enquanto parlamento,continuo a ver para acima de tudo não me esquecer de quanto são pobres de senso e responsabilidade os nossos deputados.
    Para tal vou descrever o que me leva a esta conclusão.

    1º-Responsabilidade laboral–Zero

    2º -Capacidade de dialogo—Zero

    3º -Respeito por seus eleitores e povo em geral–Zero

    4º -Respeito entre si enquanto deputados–Zero

    5º -Capacidade para exercerem o cargo que ocupam –Zero

    O QUE TEM EM FARTURA.

    1º- Uma profunda MIOPIA MENTAL

    2º -Uma cegueira profunda e um desconhecimento enorme sobre a realidade do seu próprio País.
    3º -Uma ânsia desmedida, em muito rapidamente conquistar o seu bem estar, não olhando a meios e esquecendo os eleitores que (enganaram).
    4º Muita pressa em legislar de forma a que tudo o que lhes diga respeito esteja garantido.
    5º - Falta de lealdade,de seriedade,de responsabilidade, de Patriotismo, de vergonha,em suma, são o pior que temos na nossa tão espoliada sociedade, são o que temos que mais nos envergonha.
    E vem para os debates dizer que o País é pouco produtivo,até pode ser! mas que moral tem eles para acusar dessa forma? se vemos no parlamento mais cadeiras vazias que ocupadas,e mesmo aqueles que la estão, ou estão a fazer uma sesta, ou a jogar no seu computador! deveriam ter vergonha.
    É fastidioso, é cansativo,é vergonhoso,é tudo menos uma assembleia digna.

    Deveria ser sim um local de trabalho onde veríamos, um exemplo de trabalho, uma referencia produtiva, uma casa exemplo do respeito,um símbolo e referencia, de um pais moderno respeitador,culto, prospero.

    MAS NÃO! É SIM COMO DISSE, UMA CASA QUE NOS ENVERGONHA,COM A HISTORIA QUE TEMOS DEITADA AO DESPREZO, SÓ SE LEMBRANDO DELA NAS COMEMORAÇÕES DO 10 DE JUNHO DE CADA ANO.

    Muito mais haveria para dizer a respeito, mas fico por aqui.

    Manuel Monteiro