Fev 01 2010
COMPARAÇÕES
Como o “impressionismo” é a técnica dominante entre os comentadores portugueses (o que sempre poupa o trabalho de ir ver os números), aqui ficam algumas comparações relativamente à situação financeira, face ao exterior, de alguns países.
Assim, o quadro seguinte, mostra a Posição de Investimento Internacional (PII), ou seja a Posição Externa Líquida, e a Dívida Externa Bruta (Div Ext Bruta) de alguns países, em percentagem do PIB:
| PAÍS | PII | DIV. EXT. BRUTA |
| Islândia | -344.8% | 909.6% |
| Hungria | -116.6% | 171.7% |
| Portugal | -109.2% | 226.4% |
| Espanha | -91.0% | 164.4% |
| Grécia | -86.6% | 168.9% |
| Irlanda | -64.7% | 997.1% |
| Itália | -22.6% | 120.9% |
| EUA | -24.1% | 95.7% |
| UK | -7.7% | 411.4% |
Nota: Com excepção dos EUA, os dados da PII e Dív. Externa Bruta referem-se ao stock no final do 3º Trimestre de 2009 e foram obtidos dos bancos centrais nacionais, por intermédio do site do FMI, e os dados do PIB referem-se ao ano de 2009 e foram retirados da última actualização da base de dados AMECO. No caso dos EUA, os dados referem-se a 2008 e a dívida externa bruta tem como fonte o Tesouro.
5 Comentários para “COMPARAÇÕES”
Caro VB,
Lê-se no seu anterior artigo que “Infelizmente, receio que as actuais circunstâncias políticas não sejam favoráveis a um tal entendimento, pelo menos enquanto se não fechar o ciclo eleitoral iniciado em Junho passado.”
Perante este quadro que hoje aqui coloca (e estou certo levará consigo para a reunião de Quinta-Feira) pergunto-me:
Será que a irresponsabilidade partidária é tanta que consinta adiar o inadiável por razões meramente eleitorais?
Se assim for, a História não lhes perdoará. Ou não estão conscientes disso?
Espero que, se não estão, fiquem. Que o Conselho de Estado sirva, ao menos, para isso.
Se estivesse aqui o nosso admirável líder diria:
- Não há problema, porque há outros que ainda estão em pior situação do que nós.
Esta forma de consolo, típicamente portuguesa, cala fundo em todos os homens pequenos governados por outros homens pequenos.
Pergunto-me mesmo se, perante o tamanho do icebergue que temos pela proa, a política ainda terá alguma relevância.
Mais importante do que a PII é a percepção dos investidores e aí a posição da Grécia é claramente desfavorável…
Digamos que não sou apologista da governação pelas e para as estatisticas porque há sempre estatisticas para todos os gostos e todos os pretextos.
No entanto, não posso deixar de referir que Portugal está (como bem demonstram os dados que apresenta) numa situação dificil e que urge resolver (espero que as agências de rating estejam distraídas porque esta situação nos vai começar a sair bem cara).
Agora, o problema em si não são as estatisticas mas sim o modelo de governação que priveligia a manutenção do status quo do politico despesista enquanto que promove a perda de poder do politico preocupado com o Bem-Estar-Social. E isso acontece no Governo e nas Autarquias, como acontecerá nas regiões se estas acabarem por ser instituidas.
A politica actual continua a não estar interessada em custos de oportunidade, relações custo-beneficio ou mesmo think-tanks para análise das politicas públicas. Já se acabaram com Mestrados que pretendiam formar pessoas para essas àreas e tudo se fará para manter a situação tal como ela é, e com os mesmos intervenientes na esfera do poder.
Deixo apenas uma reflexão no ar: Uma vez que se fala de uma eventual reforma constitucional, não seria melhor introduzir uma norma em que a divida pública não poderia ultrapassar uma determinada percentagem das receitas? É que se as familias não se podem (devem) endividar acima da taxa de esforço, porque continuamos a deixar que o Estado o possa fazer?
Conselheiro Vítor Bento
Para acrescentar ao seu post apenas os seguintes considerandos:
- as agências de “rating” influenciam os mercados, (neste caso os credores) mas não controlam os movimentos dos mesmos;
- a correlação entre Portugal e a Grécia está no facto dos credores não acreditarem que, ambos os países, podem, no médio prazo, pagar parte do montante do empréstimo que vão pedir;
- a situação financeira destes dois países é diversa, mas a percepção dos credores sobre a capacidade de ambos os países em pagar é semelhante, para o caso é indiferente perorar sobre as diferenças que possam existir, porque o que temos de fazer é demonstrar que podemos pagar;
- os resultados dos últimos dez anos de ambos os países, não permitem assegurar, aos credores, que a desconfiança que manifestam não tem fundamento;
- a grupo de Portugal juntou-se, nestes dois úlitmos dias a Espanha, o que vem reforçar que estamos perante um problema de credibilidade em pagar a totalidade do crédito no prazo que se pretende contratar:
- temos de pedir crédito ao estrangeiro, ergo, temos que nos sujeitar ao que os credores desejam como garantias para nos emprestar…
- assim sendo, o que se deve discutir são as medidas para mudar a percepção e não invectivar quem não nos empresta dinheiro…neste momento, tempo começa a ser um bem escasso, um luxo que não podemos ter
Cumprimentos
Adriano Volframista