Ago 29 2009
Deslizes nas entrevistas
A grande dificuldade em dar uma entrevista para quem gosta de ser rigoroso é que no texto publicado acabam por aparecer alguns disparates. Algumas vezes a culpa é do entrevistador, no processo de resumir o que dissemos, e a maior parte das vezes a culpa é do entrevistado quando cita de cabeça e se descontrai com a conversa.
A excelente entrevista de Duarte D’Orey à Laurinda Alves no jornal i teve um desses momentos. A determinada altura, o sr. D’Orey, que quer pelo seu currículo quer pela entrevista parece ser muito esperto e sensato disse: “Para mim, a utilidade marginal do dinheiro é negativa.” Suspeito que quando ele leu o texto publicado, bateu com a mão na testa. É que se isto fosse mesmo verdade, então eu tinha uma mensagem para lhe enviar:
“Duarte,
Como a tua utilidade marginal de dinheiro é negativa e a minha é bem positiva, tenho um negócio a propor-te: dá-me um milhão de euros (quantia negociável). Reduzimos a infelicidade que o dinheiro te traz e aumentamos a minha felicidade. Este negócio é o sonho de qualquer investidor: ficamos todos melhor com risco zero. Envio-te o meu NIB no e-mail seguinte.
ricardo”
Claro que o que o sr. D’Orey queria dizer é que a sua utilidade marginal do dinheiro está muito perto de zero (mas é não-negativa). Espero que este deslize inconsequente não o apoquente. Ao contrário de alguns deslizes graves que eu já tive nas poucas entrevistas que dei, este só teve como efeito trazer um sorriso a meia dúzia de pessoas como eu.
Comentários Desligados